Deslocamentos gravitacionais lentos e rapidos de rochas

 

DESLOCAMENTO DE TERRA POR ACÇÃO DE GRAVIDADE

Refere-se ao transporte por gravidade de massas de solo, rochas, detritos, sedimentos, lamas, calhaus criando outras estruturas e formas de relevo.  Os materiais deslocados não são deslocados por agentes erosivos, como o vento, chuvas, rios, mares e gelo dos glaciares, mas sim por acção da força de gravidade, responsável pela deformação dos materiais rochosos.

Alguns movimentos são desencadeados por movimentos sísmicos, inudações e da acção humana na construção civil (habitação e vias de comunicação). No entanto, os materiais deslocam-se de declive alto para o baixo em forma de deslize, desabamento, derrocada, aluimento, desmoronamento, queda, por avalancue ou mesmo por cedência.

De ponto e vista geológico os deslocamentos de terras podem ser: movimentos lentos e movimentos rápidos.

1.      Os movimentos lentos

Os movimentos lentos são deslocamentos imperceptíveis de solo (massas ou blocos de terra) que ocorrem ao longo das encostas (vertentes).

Os movimentos lentos conhecidos são: a reptação e a solifluxão.

       A reptação ou creeping trata-se de deslocamento do mais lento movimento do solo que pode culminar com a inclinação de postes de energia, árvores, cercas e fendas nas estradas, edifícios, nos passeios e represas ou reservatórios de água.

Caixa de texto: Reptação ou creepingDescrição: C:\Users\SAMITO\Reptação.jpg

Solifluxão trata-se de deslocamento de massas do solo ou rochosas superficiais saturadas de água nas regiões frias, polares e das altas montanhas quando a água nas camadas superficiais do solo alterna-se ao congelar e no degelo (descongelação). No entanto, ao descongelar, a água que não é infiltrada acaba saturando o solo, e escorre pelas vertentes, transportando consigo os sedimentos, detritos e rochas.

Caixa de texto: SolifluxãoDescrição: C:\Users\SAMITO\Solifluxão.jpg

 

 

2.      Os movimentos rápidos

Os movimentos rápidos ocorrem quando não há coesão de massas de terras e/ou blocos de rochas que podem criar rompimento e desprendimento em forma de avalanches nas vertentes.

Os movimentos rápidos conhecidos são: desabamento, derrocada ou deslizamento e fluxos de lama.

Desabamento trata-se da queda livre de blocos de rocha por acção de gravidade após a erosão ou meterorização. Os blocos caídos formam cones de detritos ou taludes de detritos.

Descrição: C:\Users\SAMITO\Desabamento de terraa.jpgDesabamento de terra

Derrocada trata-se de um escorregamento lento ou moderado de material não consolidado que se desloca como uma unidade, ao longo de uma vertente. As derrocadas são típicas das regiões húmidas.

Descrição: C:\Users\SAMITO\derrocada.jpgDerrocada de blocos de rocha

Deslizamento trata-se de um escorregamento rápido de material não consolidado que se desloca como uma unidade ao longo de uma vertente.

Caixa de texto: Deslizamento seguido de desmororonamentoDescrição: C:\Users\SAMITO\deslizamento.jpg

Os fluxos de lama ou escoada são massas de material fino (composta por areias ou argilas) ou materiais grosseiros (fragmentos de rochas, restos de vegetais, de edifícios, etc.) misturados com grandes quantidades de água numa vertente ou canal de escoamento.

Descrição: C:\Users\SAMITO\fluxo de lama.jpgFluxo de lama numa vertente

 

 

 

 

AS CARACTERÍSTICAS DOS TIPOS DE RELEVO MODELADOS NO MUNDO

Os diferentes tipos de relevo existentes no planeta Terra resultam da interacção dos agentes internos e externos, com maior destaque para chuva, oceanos e mares, rios e acção dos seres vivos. O clima devido a variação da temperatura, precipitação atmsosférica e humidade, é fundamental, pois determina os tipos de relevos em cada zona climática.

1.      Regiões frias

Nesta região, as temperaturas médias anuais (TMA) são inferiores a 8º C e dominam grandes blocos de gelo, designados por glaciares. Este região corresponde 28% da superfície terrestre.

Nas zonas de grandes altitudes, os glaciares deslocam-se de cume em direcção ao sopé das montanhas (base) como se fosse leito de um rio. Muitas das vezes, essas massas quando se deslocam até ao oceano formam os icebergues e inlandsis.

Os icebergues são blocos de gelo doce que se formam e flutuam nos oceanos, pois resultam da queda de neve nas zonas polares.

Os inlandsis são enormes blocos de gelo doce que se encontram nos oceanos, também conhecidos por calotes glaciares com milhares de km2, como são os casos dos existentes na Gronelândia e a Antárctida.

 

As formas de relevo existentes nesta região são fiordes (vales construídos por antigos glaciares), barrancos ou ravinas (relevos construídos por sulcos profundos e estreitos separados entre si por cristais salientes invadidos pelo mar), kame (depósito de areia e cascalho com uma forma cónica), moreias (depósitos de sedimentos arrancados e transportados pelos glaciares), blocos erráticos (grandes blocos rochosos transportados pelos glaciares, que possuem uma composição litológica diferente de rochas adjacentes) e nunataks (são cumes de montanhas que não se encontram cobertos de gelo).

Descrição: C:\Users\SAMITO\Nunatak.jpgNunataks nas zonas polares

2.      Regiões temperadas

Nesta região as TMA variam de 8º à 20º C e corresponde cerca de 20% da superfície terrestre, onde se concentra mais de 60% da população mundial.

 

Os tipos de relevos modelados dominantes são chaminés de fada (resultam da erosão dos materiais dificilmemte erosionáveis mais duros e resistentes localizados por cima de outros, mais leve e menos duros com aspecto de colunas), ravinas ou barrancos e caos de blocos.

Descrição: C:\Users\SAMITO\chaminés de fadas.jpgChaminés de fada

 

3.      Regiões quentes e húmidas

Nesta região as TMA são iguais ou superiores a 20º C e as chuvas são abundantes, o que pressupõe elevadas humidade e evaporação atmosféricas.

No clima equatorial a floresta é densa, por isso os processos químicos são rápidos (a hidrólise, dissolução, hidratação e oxidação), fazendo com que a meteorização altera-se, rapidamente, as rochas.

Os solos desta região são ferralíticas devido a maior concentração de ferro e alumínio, por isso as rochas sofrem com o processo de lixiviação. As rochas contem muito ferro com diaclase permeáveis, o que permite a acumulação no fundo de material ferroso, constituíndo uma couraça bastante dura.

Lixiviação é a remoção de sais minerais dos solos ou rochas por acção das águas das chuvas de que resulta a diminuição progressiva da fertilidade de solos, sobretudo na região equatorial.

A meteorização química é o principal agente modelador do relevo, devido à intensidade das chuvas no clima quente e húmido.

Noutra vertente, existem rochas graníticas e silíticas, resistentes a erosão química em zonas de planícies, como pães de açúcar (relevos parabólicos com vertentes abruptas onde ocorre intensa erosão, formados por rochas graníticas).

 

 

 

Os inselbergues ou montes ilhas (maciços rochosos parabólicos com vertentes nas regiões aplanadas).

Descrição: C:\Users\SAMITO\Pão de açúcar.jpg

Pães-de-açúcar, Rio de Janeiro, Brasil

Descrição: C:\Users\SAMITO\Inselbrrgues.jpgInselbergues

 

4.      Regiões áridas

Nesta região as TMA são superiores aos 26º C e as chuvas são bastante raras e o vento é intenso devido a falta de cobertura vegetal.

Os tipos de relevo predominantes são: as dunas (relevo formado pela acção do vento nos desertos quentes), erg (deserto arenoso, constituido por dunas), reg (deserto rochoso composto por blocos angulosos que o vento deixou a descoberto), yardangs (cristais rochosos paralelos, alinhados na direcção do vento dominante), blocos pedunculados (rochas em forma de cogumelo, construídas por corrosão), ventifactos (blocos originados pelo desgaste eólico de forma curva e aplanada que se apresenta no topo de elevações), rochas-cogumelos, inselbergues e hamadas.

Descrição: C:\Users\SAMITO\Reg.jpgReg (deserto rochoso)

Nas regiões áridas a meteorização química é fraca devido à escassez de chuvas, porém, quando se regista a precipitação, a meteorização química é muito rápida devido ao processo de evaporação.

A termoclastia, crioclastia e haloclastia são os fenómenos que ocorrem e responsáveis pela desagregação das rochas.

Halocrastia é o processo de desagregação das rochas cristalizadas por sais, como é o caso do cloreto de sódio, embutidos nas rochas pela acção do vento.

O vento é o principal agente modelador do relevo nas regiões áridas, realizando a deflação, corrasão e acumulação.

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